O 8.º ano da minha mãe
Joana Santos, de 40 anos, é licenciada em Direito. Nasceu numa aldeia
de Ovar, onde viveu até aos 25 anos. Sempre desejou viver numa
cidade maior, porque em criança sonhava ser bailarina. Atualmente vive com o
marido e os dois filhos na cidade de Vila Nova de Gaia. Contou ao filho mais
velho, o Rodrigo, como foi o seu 8.º ano.
Entrevista de Rodrigo Alves
Em que ano frequentou o 8.º ano?
Frequentei o 8.º ano com a mesmo idade que tu, mas no ano de 1987, já
faz algum tempo (risos).
Em que escola andou?
Como sou natural do Marco de
Canaveses e vivia numa freguesia daquele concelho, frequentei a Escola
Secundária de Marco de Canaveses. Naquela altura não havia outra escola
secundária no concelho.
Como eram as suas aulas na sua
altura?
As aulas eram dadas por diferentes professores, de diferentes
disciplinas tal como agora, mas não havia tecnologia. Não tínhamos os quadros
interactivos, nem computadores, muito menos internet. Os trabalhos eram feitos
com base na pesquisa efetuada nas bibliotecas – da escola e da municipal –,
eram manuscritos ou passados à máquina. A Escola tinha três pavilhões com salas
de aula e um pavilhão de educação física.
As professoras no seu tempo eram mais
exigentes que nos dias de hoje?
Penso que a exigência era a mesma. Sempre existiram professores mais
exigentes do que outros, assim como alguns mais simpáticos e acessíveis do que
outros. Penso que talvez os alunos da altura mostrassem mais respeito pelos
professores do que os alunos de hoje, não sei se por medo de serem chamados ao
Conselho Diretivo ou dos castigos que os próprios pais lhes dariam se tal
acontecesse. Um processo disciplinar era muito temível na altura (pelo menos
para mim).
Como
era a alimentação na cantina da escola?
Como inicialmente referi, eu não morava na cidade do Marco de
Canaveses, mas numa aldeia que dista cerca de 12 km da cidade. Ia todos os dias
de autocarro para as aulas. Então, nos dias em que tínhamos aulas “todo o dia”
tinha que almoçar na escola. Não havia outra alternativa, não havia shoppings,
nem Mini Preço. Mas o liceu (como nós também chamávamos à Escola Secundária)
tinha uma cantina boa. Ainda me lembro do cozinheiro, era o Sr. Tomé. A comida
era boa e confecionada na escola, lembro-me que adorava comer lá um prato de
peixe chamado “solha dourada”. Que saudades…´
Tem boas memórias dessa altura?
Muito boas memórias. É uma idade em que as amizades são muito fortes e
sinceras. Onde, apesar de termos de estudar para os testes, a nossa vida é
muito alegre e despreocupada, onde pensamos que somos capazes de tudo e os
problemas nem sabemos ao certo o que são. Era uma altura de despreocupações. Um
dia, quando tiveres a minha idade vais saber a que me refiro.
Qual
era a disciplina favorita do 8.º ano?
Para mim, as disciplinas favoritas são um bocado influenciadas pelos
professores que temos. Lembro-me de, num determinado ano, ter gostado muito de
matemática e, no ano seguinte, já não conseguir acompanhar, porque o professor
não cativava. Nós não tínhamos centros de estudo e, em casa, os meus pais não
acompanhavam os meus estudos, porque também não tinham capacidades para isso.
Então, o gostar mais de uma disciplina ou de outra tinha muito a ver com os
professores e a forma como eles cativavam a nossa atenção nas aulas. Mas a
disciplina que sempre que despertou curiosidade foi História, tinha muita
curiosidade em conhecer o nosso passado, a evolução do Homem, as diferentes
épocas vividas.
O que fazia nos intervalos?
Nos intervalos nós, as raparigas, víamos uma revista muito famosa na
altura, a Bravo, onde vinham as fotos dos cantores ou grupos mais admirados daquela
época. Por vezes, recortávamos os “posters” para os metermos em "micas" que
serviam de separadores das disciplinas. Os mais famosos eram os Duran Duran, o
Michael Jackson, o George Michael, o Prince, a Madonna, entre outros. A música
que ouvíamos era na rádio, poucos tinham gira discos em casa (risos). Não
tínhamos telemóveis, por isso passávamos o tempo dos intervalos a tentar comer
alguma coisa no bar, quando as filas assim o permitiam e quando levávamos
dinheiro para isso. Conversávamos ou dávamos uma volta aos pavilhões do Liceu.
Como
eram as aulas de educação física?
Na altura o liceu, havia um pavilhão desportivo, as aulas eram dadas
dentro do pavilhão e, quando não estava a chover, tínhamos aulas num campo de
futebol ao ar livre. Sempre gostei mais de jogar futebol do que fazer ginástica
propriamente dita como saltar no cavalete ou dar cambalhotas…. No fim das aulas
éramos obrigados a tomar banho.
Que
conselhos dá ao seu filho para que termine o 8.º ano com sucesso?
Os conselhos para o 8.º ano não são muito diferentes daqueles que dei
desde que ele entrou para a escola. Embora, com o avançar da idade, as
dificuldades aumentem, os princípios básicos são os mesmos. Na sala de aula, estar com muita atenção ao professor, pois já é metade do trabalho feito para
que consiga acompanhar o que lhe é ensinado. Quando não estiver a perceber o
que lhe está a ser ensinado, que não se iniba de interromper e perguntar até
que consiga entender. Depois há todo o trabalho que deve ser feito fora da
escola, como fazer sempre os trabalhos de casa, manter os cadernos organizados…
Sabemos que há algumas disciplinas exigem que se façam exercícios
diários para melhor assimilar a matéria e nessas tem de se aplicar diariamente.
A escola é o trabalho dele.
Parece muito, mas se houver essa disciplina tudo se
torna mais simples. Paralelamente a isto, há ainda muito tempo para se divertir
com os amigos para poder ocupar o tempo livre com os passatempos